quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Земляне (Zemlyane) - Трава у дома (Trava u doma)

    Hoje trago uma música clássica do rock soviético, basicamente conhecida por todo o território russo atual. A música foi composta em 1982, tocada pela primeira vez em 12 de Abril do mesmo ano no programa "Притяжение Земли" ("Gravidade da terra"), no dia do cosmonauta (O equivalente ao "astronauta", porem no lado soviético, este dia é celebrado em homenagem ao primeiro voo espacial tripulado, feito em 12 de Abril de 1961 por Yuri Gagarin, na nave Vostok 1), ainda numa versão embrionária. A versão que conhecemos foi lançada em 1983. A letra é de Anatoly Poperechny e o instrumental de Vladimir Migulya. A inspiração da letra foi um poema de mesmo nome, ainda que este não cite algo espacial no original (E não me pergunte que poema é esse, só sei que tá na Wikipédia russa essa informação). 

    A música fala sobre um cosmonauta olhando, da escotilha de sua nave, para a Terra e sentindo saudades de lá, recordando da grama ao redor de sua casa, é quase como um apelo de voltar, mediante tamanha distância. É uma boa descrição da palavra "saudade".

    Desde 2009, esta música é o hino oficial dos cosmonautas na Rússia, nomeada pela Corporação Estatal de Atividades Espaciais Roscosmos.

    Eu acabei descobrindo, depois de conhecer esta música, que ela tem uma versão no jogo "Atomic Heart", ainda que seja um rock que me lembra um pouco o estilo de Sabaton. Eu acabo preferindo a versão da banda Zemlyane (Que, por sinal, significa "Terráqueos"), mas a letra é, aproximadamente, a mesma.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

A Terra numa escotilha, a Terra numa escotilha

A Terra é visível pela escotilha

Tal qual um filho tem saudades da mãe, tal qual um filho tem saudades da mãe

Sentimos saudades da única Terra que temos


Ainda que as estrelas, ainda que as estrelas

Estejam mais próximas, ainda é frio

E tal qual eclipses, tal qual eclipses

Esperamos pela luz e vemos sonhos terrestres


E não sonhamos com os estrondos do porto espacial

Nem com este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, que cerca nossas casas

Verdejante, verdejante grama


Voamos em orbitas, por caminhos desconhecidos

O espaço é costurado por meteoritos

Risco e coragem têm valor

E a música cósmica penetra nossas conversas formais


Pela baixa neblina, com a Terra pela escotilha

Alvorada e aurora se misturam

E o filho tem saudades da mãe, e o filho tem saudades da mãe

A mãe espera por seu filho, assim como a Terra espera os seus


E não sonhamos com os estrondos do porto espacial

Nem com este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, que cerca nossas casas

Verdejante, verdejante grama


E não sonhamos com os estrondos do porto espacial

Nem com este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, que cerca nossas casas

Verdejante, verdejante grama

E não sonhamos com os estrondos do porto espacial

Nem com este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, que cerca nossas casas

Verdejante, verdejante grama



Tradução para cantar:

Terra numa escotilha, Terra numa escotilha

Terra numa escotilha, eu vejo

Como filho dá falta da mãe, como filho dá falta da mãe

Damos falta da única Terra que temos


Ainda que as estrelas, ainda que as estrelas

Estejam mais próximas, ainda é frio

E tal qual eclipses, e tal qual eclipses

Queremos luz e sonhos terrestres


E não sonhamos com sons do cosmódromo

Nem este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, grama de casa

Só verde, só verde grama


E muito orbitamos, por caminhos desconhecidos

No espaço, meteoritos costuram

A pretexto de risco e bravura

Cosmos em música vai entrando na nossa conversa


Pela baixa neblina, com a Terra pela escotilha

Alvorada e aurora se misturam

Assim como filho e mãe, assim como filho e mãe

E assim como mãe, espera a Terra


E não sonhamos com sons do cosmódromo

Nem este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, grama de casa

Só verde, só verde grama


E não sonhamos com sons do cosmódromo

Nem este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, grama de casa

Só verde, só verde grama

E não sonhamos com sons do cosmódromo

Nem este espaço azul celeste

Sonhamos com a grama, grama de casa

Só verde, só verde grama


Letra: Anatoly Poperechny

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 10/10/2025

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Tradução: КИНО (KINO) - Группа крови (Gruppa krovi)

    Acho que esta é uma das músicas mais conhecidas do KINO, junto com "Спокойная ночь" (Noite tranquila), sendo esta, que vou traduzir hoje, muito popularizada pelo jogo Grand Theft Auto IV, que tinha uma seleção de músicas russas, incluindo uma versão remixada de "Зеленоглазое такси" (Táxi de olhos verdes), cuja versão original eu amo ouvir, a do Михаил Боярский (Mikhail Boyarskiy). Curiosamente, Mikhail Boyarskiy foi influência para Viktor Tsoi em sua adolescência. E até hoje eu não tive o privilégio de ouvir essa música tocar no rádio do GTA IV, também não joguei muito.

    Ainda que não tenha sido a primeira música de KINO que eu ouvi, foi uma das primeiras e eu gostei bastante do ritmo, muito antes de entender algo da letra. Essa é uma daquelas músicas que quando você entende o que está sendo dito, ela muda totalmente de tom.

    Muitas músicas do KINO foram compostas no contexto da Guerra Afegã-Soviética (Guerra do Afeganistão), que durou de 1979 a 1989, inclusive, um dos membros da banda inicial, o Oleg Valinsky, teve que deixá-la, quando ela ainda se chamava "Гарин и гиперболоиды" ("Garin e os hiperboloides", este nome foi inspirado num livro soviético de Aleksey Tolstoy, chamado "Os hiperboloides do engenheiro Garin", este "hiperboloide" é, na verdade, um raio da morte), por ter sido chamado ao exército para lutar. Viktor Tsoi, seu principal compositor, foi a um hospital psiquiátrico em Pryazhka na segunda metade de 1983, por sua relutância a entrar para as forças armadas, passando um mês e meio internado, o que o fez ser dispensado do serviço militar. O álbum foi lançado em 1988, já aos finais dessa guerra, com um movimento forte de Gorbachov, líder da URSS na época, para a retirada das forças militares soviéticas do Afeganistão, o período de glasnost (Em busca de liberdade de expressão e imprensa) e de peristroika (A reestruturação que buscava a descentralização das decisões econômicas).

    Dentro deste contexto, temos uma música que mostra uma visão mais crua da guerra, um desejo de não estar lá e de não morrer no campo. A letra traz uma visão heroica, a princípio, mas depois começa a se recolher para uma visão mais depressiva, demonstrando desagrado de estar neste estado. A estrela que ele tanto cita em suas músicas é o Sol, mas também parece uma alusão à União Soviética.

    Dessa vez eu vou fazer algo diferente na tradução, a "tradução literal", na verdade, será uma tradução mais melódica, poética, mas ainda tentando manter a mensagem original da música, já a tradução para cantar será mais literal à letra (Virou uma reversal russa?), sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Mesmo com o ambiente morno, as ruas aguardam por nossas pegadas

Com poeira de estrelas em nossas botas

Uma cadeira confortável, com padrões de xadrez, e um gatilho não puxado a tempo

Só temos um dia ensolarado quando estamos em sonho


Há meu tipo sanguíneo na minha manga

Com meu número de série impresso em pompa

Peço que me deseje sorte em batalha

Por favor, me deseje...

Não ornamentar, com meu corpo deitado, este campo

Não ornamentar, com meu corpo deitado, este campo

Me deseje sorte

Me deseje sorte!


E há um preço a ser pago

Mas não quero dá-lo a nenhum custo

Nem quero, também

Pôr meu pé sobre o peito de alguém

Quero estar junto a ti

Apenas ficar por aí

Mas a estrela no céu a brilhar

Vive a me chamar


Há meu tipo sanguíneo na minha manga

Com meu número de série impresso em pompa

Peço que me deseje sorte em batalha

Por favor, me deseje...

Não ornamentar, com meu corpo deitado, este campo

Não ornamentar, com meu corpo deitado, este campo

Me deseje sorte

Me deseje sorte!



Tradução para cantar:

Tépida cidade, mas as ruas esperam pelas marcas de nossos pés

Poeira estrelar... Em nossas botas

Uma cadeira macia, colorida em xadrez, não puxou o gatilho à tempo

Ensolarados dias... São partes de um sonho


Tipo sanguíneo na manga

Meu número de série na manga

Deseje-me sorte em batalha 

Deseje que

Neste campo, eu não fique

Neste campo, eu não fique

Deseje-me sorte

Deseje-me sorte!


E algo a pagar, mas já não quero

Vencer a qualquer custo

Eu não quero

Pôr meu pé no peito de alguém

Só quero estar junto a ti

Apenas estar junto a ti

Mas no céu há uma estrela

Que vive chamando


Tipo sanguíneo na manga

Meu número de série na manga

Deseje-me sorte em batalha 

Deseje que

Neste campo, eu não fique

Neste campo, eu não fique

Deseje-me sorte

Deseje-me sorte!



Composição: Viktor Tsoi / Yuri Kasparyan / Igor Tikhomirov / Georgy Guryanov

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 02/10/2025

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