Ok, ainda que não tenha sido a primeira música do MGMT que eu conheci (Nem me lembre da minha depressão após uns momentos complicados, pandemia, perder um amigo e tentar continuar a faculdade de engenharia elétrica, então é, a primeira foi "Little Dark Age", que eu ouvi à exaustão enquanto pensava em qual seria a melhor forma de me excluir da lista de seres vivos deste mundo), é definitivamente uma que me faz ficar pensativo.
A música em si é uma crítica a como as celebridades são vistas e tratadas, bem como estereótipos sociais de que esta é uma vida boa e perfeita, quando, na verdade, aquela pessoa é só um produto. Quando seu valor é perdido, é descartado, assim como uma embalagem usada. Ao final, a única coisa que ele precisa se preocupar é receber os "parabéns", um indicativo de que ele ainda é relevante e tem valor para os empresários. Por sinal, algumas notas de detalhes da tradução ficam após a letra, mas este eu tenho que pontuar aqui: Eles citam "Steinway" e "Baldwin", que são companhias que fazem pianos. Eu suponho que o significado seja como "comparar Zé com José" ou "comparar Nescau com Toddy", uma ideia de refino, mas que ainda é uma briga desnecessária, que não agrega nada. Como se tudo desse na mesma.
Acabei conhecendo esta música aleatoriamente enquanto buscava outras músicas do MGMT, além da que já foi citada anteriormente, sendo essas duas as que eu mais gosto.
Sem mais delongas, à tradução, nos mesmos moldes de sempre:
Tradução literal:
À deriva
Não são férias remuneradas
Os filhos e filhas
De funcionários públicos comparecem a protestos
Quase um "vai ou racha"
Quando tudo vai bem se os bilhetes venderem
Acabando com um choramingo*
Não é a chama da vitória
Você observa do seu templo
Enquanto outros lutam para fazer seu nome
E entalham sua palavra em mármore
Mas tudo é em vão se ninguém os ouve
Mas eu tenho alguém para fazer relatórios
E me dizer como meu dinheiro é gasto
Para marcar minhas hospedagens e fechar minhas cortinas
Assim não posso notar o que realmente está lá
E tudo que preciso é de um grandioso "parabéns"
Guardo os seus sonhos
Você presta atenção a mim
Por mais estranho que possa parecer
Prefiro dissolver a ser ignorado por você
O chão pode estar cedendo rápido
Mas amarrei minhas botas a um mastro quebrado**
A diferença é clara
Você a atira ao seu caldeirão
Enferrujado e envernizado
Crepúsculo e alvorada, Steinways e Baldwins
Você começa com um caldo simples
De todo esse lixo e sal à gosto
Mas dane-se a minha sorte e dane-se esses amigos
Que vivem penteando seus sorrisos
Guardo minha graça com uma culpa de meia tigela
E estendo a colcha pelo jardim
Abro os braços e absorvo os "parabéns"
Tradução para cantar:
Largado, à deriva
Não são férias remuneradas
Os filhos e filhas
De funcionários públicos vão a protestos
Quase um "vai ou racha"
Quando tudo vai bem se os bilhetes vendem
Um fim com uma lamúria*
Não é a chama da vitória
Você vê, do seu templo
Enquanto pessoas lutam para fazer sua história
E entalham, em mármore, sua fala
Mas tudo se perde se ninguém os ouve
Mas eu tenho alguém para fazer relatórios
E me dizer como meu dinheiro é gasto
Marcar minhas estadias e fechar as cortinas
Assim não posso ver o que está lá
E tudo que preciso é de um grande "parabéns"
Guardo os seus sonhos
Você presta atenção a mim
Por mais estranho que pareça
Prefiro dissolver a que você me ignore
O chão pode estar cedendo rápido
Mas amarrei minhas botas a um mastro quebrado**
A diferença é clara
Você a atira ao seu caldeirão
Ferrugem e verniz
Noite e dia, Steinways e Baldwins
Você começa com um caldo simples
De todo esse lixo e sal à gosto
Mas dane-se a minha sorte e dane-se esses amigos
Que vivem penteando seus sorrisos
Guardo minha graça com uma culpa meia boca
E estendo a colcha pelo jardim
Abro os braços e absorvo os "parabéns"
Letra: Andrew Wells VanWyngarden / Benjamin Nicholas Huner Goldwasser
Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 14/12/2025
*Vem de um poema de Thomas Stearns Eliot, chamado "The hollow men" (Os homens vazios), que diz, ao final: "É assim que o mundo se acaba, não com um estrondo, mas sim com um choramingo"
**"Amarrar-se a um mastro" é um dito popular em inglês que significa "focar no que é importante" ou "resistir à tentação", aqui sendo distorcido para dizer que o ponto de ancoragem que ele usou para resistir às tentações é frágil e quebradiço, como se não fosse de nenhuma ajuda real, apenas simbólica.
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