sexta-feira, 12 de junho de 2026

Tradução: КИНО (KINO) - Красно-жёлтые дни (Krasno-zhyoltye dni)

    Eu já tinha traduzido antes "Кукушка", que é vista, até hoje, quase como um mantra do Tsoi, do álbum lançado postumamente sem título. O ponto é que diversas músicas deste álbum parecem carregar mensagens que parecem subliminares, como se ele pressentisse seu fim e compusesse de forma a responder a tudo isso.

    Claro que, na prática, isto vem mais do efeito psicológico do ser humano de procurar explicação onde não tem, como se aliviasse um pouco o coração de saber que alguém previu a própria morte ou algo do tipo. É interessante ver que ele aborda os dias como "vermelho-amarelados", não só como uma referência a um Sol no horizonte, envermelhando o céu e deixando raios amarelos, como também às cores da URSS, como se previsse a vida após os "dias soviéticos". É incrível ver como ele descreve que sonhou com um mundo livre, então acordou e só pode expirar uma interjeição de tristeza e problema, como se dissesse "Droga! Não estou mais nessa terra dos sonhos"

    Essa música é densa e tem uma referência inesperada que eu nem sei como encaixar direito. No refrão, Tsoi fala "Горе ты моё от ума", que é uma referência à peça "Горе от ума" ("Woe of wit" em inglês, que eu só consigo pensar em Bioshock Infinite quando leio isso, "Ai da inteligência" ou o "Mal do saber" em português) do Alexander Griboyedov. Uma comédia que satiriza a vida em Moscou na era pós napoleônica. Era muito presente nas aulas de literatura das escolas soviéticas, também gerando inúmeros bordões, sendo o título um deles, o que explica essa referência ser feita tão naturalmente. Vou abordar mais detalhes do que ele quis dizer na música numa nota de rodapé.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Meu trem está preso no depósito ferroviário

Novamente estou de saída, está na hora

Na porta, o vento espera por mim ansiosamente

Na porta, o Outono (também me espera), minha irmã


Depois dos dias vermelho-amarelados

O inverno terá início e fim

Você é meu "Mal do saber"*

Não fique triste, tente se alegrar

E eu voltarei ao meu lar

Com um escudo ou, talvez, carregado nele**

Na riqueza ou, talvez, na pobreza

Mas (volto) o mais rápido que posso (assim que puder)


Conte-me dos que estão cansados

De impiedosos dramas da rua

E sobre o templo de corações partidos

E sobre aqueles que o visitam com frequência


Depois dos dias vermelho-amarelados

O inverno terá início e fim

Você é meu "Mal do saber"*

Não fique triste, tente se alegrar

E eu voltarei ao meu lar

Com um escudo ou, talvez, carregado nele**

Na riqueza ou, talvez, na pobreza

Mas (volto) o mais rápido que posso


E tive um sonho de um mundo regido por amor

E tive um sonho de um mundo regido por sonhos

E, acima disso, uma estrela com o maior brilho

Mas acordei e percebi... que problema


Depois dos dias vermelho-amarelados

O inverno terá início e fim

Você é meu "Mal do saber"*

Não fique triste, tente se alegrar

E eu voltarei ao meu lar

Com um escudo ou, talvez, carregado nele**

Na riqueza ou, talvez, na pobreza

Mas (volto) o mais rápido que posso



Tradução para cantar:

Meu trem está preso no depósito

De novo estou de saída, é hora

Na porta, o vento espera por mim 

Na porta, o Outono também, minha irmã


Pós dias vermelhos e amarelos

O inverno virá e irá

Oh, meu "Mal do saber"*

Não fique triste, tente se alegrar

E voltarei ao meu lar

Com um escudo ou, talvez, nele**

Na riqueza ou, talvez, na pobreza

Mas volto assim que puder


Conte-me dos que estão cansados

De impiedosos dramas da rua

E sobre o templo de corações partidos

E sobre os que o visitam sempre


Pós dias vermelhos e amarelos

O inverno virá e irá

Oh, meu "Mal do saber"*

Não fique triste, tente se alegrar

E voltarei ao meu lar

Com um escudo ou, talvez, nele**

Na riqueza ou, talvez, na pobreza

Mas volto assim que puder


E sonhei com um mundo regido por amor

E sonhei com um mundo regido por sonhos

E, acima disso, brilha uma estrela

Mas acordei e percebi... droga!


Pós dias vermelhos e amarelos

O inverno virá e irá

Oh, meu "Mal do saber"*

Não fique triste, tente se alegrar

E voltarei ao meu lar

Com um escudo ou, talvez, nele**

Na riqueza ou, talvez, na pobreza

Mas volto assim que puder



Letra: Viktor Tsoi

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 12/06/2026


*Aqui ele aponta para uma pessoa (a quem ele se dirige durante a música e que pode ser tanto o público, quanto um amigo ou um amor), dizendo que ela é o desespero de quem sabe de mais, os males do saber, se preocupando demais com ele. Também faz a referência à literatura clássica russa;

**É uma forma de dizer "Voltarei vivo ou morto", mas é mais poética, provavelmente da Roma Antiga, como se dissesse: "Volto vivo, com meu escudo, ou morto, carregado sobre ele".

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