quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Tradução: The Cranberries - Zombie

    Hoje trago a tradução de uma música bem famosa, com raízes em uns "problemas" que aconteceram na Irlanda do Norte, que culminou nesta letra maravilhosa e carregada de sentimentos, sendo capaz de se encaixar em qualquer contexto político moderno.

    A música foi escrita durante os conflitos na Irlanda do Norte (Conhecido em inglês como "The troubles". Sim, eu sei, baita nome genérico, mas veio dos mesmos caras que colonizaram um país chamado "Estados Unidos da América", como se não pudessem existir outros estados, em união, no continente americano. É a galera que criaria uma marca de leite chamada "Leite"). Eu vou tentar resumir esse conflito, a Irlanda do Norte (Que eu vou chamar de "Irlanda") estava tendo uma briga entre grupos protestantes e católicos, os protestantes queriam que o território continuasse com laços com a Grã-Bretanha (Que eu vou chamar de "Monarquia que não é a Irlanda") e os católicos queriam que fosse parte da República da Irlanda (Que eu vou chamar de "Irlanda"). Com isso, o pessoal decidiu fazer o que todos os seres humanos fazem quando discordam de algo minimamente fácil de resolver no diálogo: Pegaram armas e foram lutar (Depois perguntam o motivo dos aliens não visitarem a gente, eles só visitam formas de vida inteligentes). O conflito durou do meio da década de 1960 até 1998 (Sim, o ser humano pisou na Lua, a Guerra do Vietnam rolando, Guerra Soviético-Afegã, Martin Luther King Jr. dizendo que tinha um sonho, de que todos na nação seriam criados igualmente, a União Soviética caiu, O primeiro shinkansen foi inaugurado, Ayrton Senna morreu, Mao Tsé-Tung começou a Revolução Cultural da China, meus pais nasceram, se casaram e essa galera ainda estava se digladiando). Diversos atos de terrorismo e violência foram cometidos durante esses períodos, porque o pessoal da Irlanda não conseguia decidir se virava parte da Irlanda ou da Monarquia que não é a Irlanda. Com a gota d'água para escrever esta canção sendo os bombardeamentos de Warrington, em Cheshire, Inglaterra, com o primeiro atentado causando apenas danos materiais, em 26 de Fevereiro de 1993, já o segundo, em 20 de Março, atacando lojas na rua Bridge matando duas crianças e ferindo 56 pessoas. Os ataques tinham a intenção de pressionar a Inglaterra a sair da Irlanda (do Norte). Os "problemas" só terminaram com a assinatura do Acordo de Belfast (A cidade, não o navio), em 10 de Abril de1998. A República da Irlanda foi proclamada em 1916, como consequência da "Revolta da Páscoa", daí a referência ao ano na música. Uma das crianças mortas no segundo atentado de Warrington foi posta numa lixeira, segundo O'Riordan, motivando um trecho da música que diz "Uma criança é levada lentamente"

    Minha história pessoal com essa música é que eu gosto bastante do seu significado e nem lembro bem onde a ouvi primeiro, mas lembro de ter escutado novamente numa live do streamer PopeeyeTTV, o que me fez procurar mais sobre a letra e seu significado.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Outra cabeça se abaixa*

Uma criança é levada, lentamente

E a violência causa tamanho silêncio

Com quem estamos nos confundindo?**


Mas, veja, não sou eu, não é minha família

Em sua cabeça, em sua cabeça, estão lutando

Com seus tanks e suas bombas, e suas bombas, e suas armas

Em sua cabeça, em sua cabeça, estão implorando


Em sua cabeça, em sua cabeça

Zumbi, zumbi, zumbi

O que passa em sua cabeça? Em sua cabeça?

Zumbi, zumbi, zumbi, oooh


De mais uma mãe, um partido

Coração toma conta**

Quando a violência causa silêncio

Devemos estar confundindo as coisas


É o mesmo velho tema, desde 1916

Em sua cabeça, em sua cabeça, eles ainda lutam

Com seus tanks e suas bombas, e suas bombas, e suas armas

Em sua cabeça, em sua cabeça, estão morrendo


Em sua cabeça, em sua cabeça

Zumbi, zumbi, zumbi

O que passa em sua cabeça? Em sua cabeça?

Zumbi, zumbi, zumbi



Tradução para cantar:

Outra cabeça se abaixa*

Criança carregada lentamente

E a violência causa tal silêncio

Com quem nos confundimos?**


Mas, veja, não sou eu, não é minha família

Em sua cabeça, em sua cabeça, estão lutando

Com seus tanks e suas bombas, e suas bombas, e suas armas

Em sua cabeça, em sua cabeça, implorando


Em sua cabeça, em sua cabeça

Zumbi, zumbi, zumbi

O que há em sua cabeça? Em sua cabeça?

Zumbi, zumbi, zumbi, oooh


De outra mãe, um partido

Coração toma conta***

Quando a violência causa silêncio

Devemos estar enganados


É o mesmo velho tema, desde 1916

Em sua cabeça, em sua cabeça, eles ainda lutam

Com seus tanks e suas bombas, e suas bombas, e suas armas

Em sua cabeça, em sua cabeça, estão morrendo


Em sua cabeça, em sua cabeça

Zumbi, zumbi, zumbi

O que há em sua cabeça? Em sua cabeça?

Zumbi, zumbi, zumbi



Letra: Dolores O'Riordan

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 15/01/2026, 04:59-06:03


*A frase em inglês é uma forma de dizer "Mais uma pessoa está de cabeça baixa, dada a emoção do momento", mas não consegui fazer caber em poucas palavras;

**É uma pergunta retórica, questionando se estamos nos confundindo com algum ser irracional, que não consegue distinguir o que é certo ou errado e age apenas por instinto;

***A letra que usei como referência acaba por ter uma divisão ali naquele ponto, então tive que dividir a frase, que seria, de um jeito mais direto: "O coração partido, de mais uma mãe, toma conta (dela)".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Tradução: Simon & Garfunkel - The sound of silence

    Não, isso não é uma música para sad boy, nem para você colocar para tocar quando ela, que nitidamente nunca se importou com você, terminou contigo. Essa música sempre tocou em tantos memes e momentos tristes, mas somente quem entendeu sua letra pode realmente experienciar o que ela diz. Sabe aquela sensação de que está tudo errado e, mesmo explicando tudo e destrinchando, parece que ninguém entende ou quer entender? Então, é isso. Quando você escolhe ficar calado porque não vale mais a pena falar, esse é o sentimento que a música traz.

    Estou aqui para te mostrar que ela é sobre a depressão e como ela afeta a pessoa, a sociedade e o mundo em que vivemos. Não é o tipo de cortar os pulsos e usar preto para ser modinha durante a escola, é do tipo de você pensar na própria morte e se sentir feliz, um sentimento que há muito não tinha. É de ver a morte como a única libertação do mártir que se tornou a vida. Não morrer porque você quer a morte, mas sim porque não aguenta mais estar vivo. É quando você chora pensando no ato porque não queria que as coisas acabassem assim, mas não sente que tem outro caminho. Essa é a depressão que eu conheço de experiência própria. Essa música aborda justamente esse tipo de depressão e como que uma sociedade cria pessoas depressivas, assim como a nossa. Uma obra feita para refletir e sentir refúgio (Tal qual sua origem, num banheiro escuro, refletindo sobre a vida, segundo Simon). (Eu estou muito fortemente tentando evitar usar a palavra "visceral", porque o DeepSeek usa isso toda hora e não quero soar como uma IA. Que ironia, eu, um ser humano, me esforçando para não parecer uma máquina... Cadê a caixinha de captcha dizendo: "Não sou um robô"?)

    Bem, sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Olá, escuridão, minha velha amiga

Vim falar contigo novamente

Pois uma visão, rastejando sorrateiramente

Deixou suas sementes enquanto eu dormia

E a visão que foi plantada em meu cérebro

Ainda se mantém

Dentro do som do silêncio


Em sonhos incessantes, andei sozinho

Ruas estreitas de pedregulho

Sob a auréola de uma luz de poste

Virei meu colarinho para o frio e úmido

Quando meus olhos foram penetrados pelos raios de uma luz de neon

Que rasgou a noite

E tocou o som do silêncio


E, na luz crua, eu vi

Dez mil pessoas, talvez mais

Pessoas falando sem dizer

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo músicas cujas vozes nunca partilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio


"Tolos", eu disse, "Vocês não sabem

Silêncio, assim como um câncer, cresce

Ouçam minhas palavras, que posso vos ensinar

Segurem minha mão, que posso vos alcançar"

Mas minhas palavras caíram como gotas de chuva silenciosas

E ecoaram pelos poços de silêncio


E o povo se curvava e rezava

Ao deus do neon que criaram

E a placa piscava seus avisos

Nas palavras que estava formando

E a placa disse: "As palavras dos profetas

Estão escritas nas paredes do metrô

E nos corredores de cortiços

E sussurradas nos sons do silêncio"



Tradução para cantar:

Olá, escuridão, minha velha amiga

Vim falar contigo de novo

Pois uma visão, sorrateiramente

Deixou suas sementes enquanto dormia

E a visão que foi plantada em minha mente

Se mantém

Dentro do som do silêncio


Em incessantes sonhos, andei sozinho

Ruas estreitas de calcamento

Sob a auréola de um poste

Virei minha gola para o frio e úmido

Quando meus olhos foram varados por flashes de um neon

Que rasgou a noite

E tocou o som do silêncio


E, na luz crua, eu vi

Dez mil pessoas, talvez mais

Pessoas falando sem dizer

Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo músicas cujas vozes nunca partilharam

Ninguém ousou

Perturbar o som do silêncio


"Tolos", eu disse, "Vocês não sabem

Silêncio, tal um câncer, cresce

Ouçam minhas palavras e os ensinarei

Segurem minha mão e os alcançarei"

Mas minhas palavras, tal o silencioso chuvisco, caíram

E ecoaram pelos poços do silêncio


E o povo saudou e rezou

Ao deus do neon que criaram

E a placa piscava seus avisos

Nas palavras que estava formando

E a placa disse: "As palavras dos profetas

Estão escritas nas paredes do metrô

E corredores de cortiços

E sussurradas nos sons do silêncio"



Letra: Paul Frederic Simon

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 14/01/2026, 03:41-05:01

sábado, 27 de dezembro de 2025

Tradução: Torii Wolf - No one knows but me

    E estamos de volta, traduzindo outra música de Torii Wolf, chamada "Ninguém mais sabe além de mim", que eu acabei conhecendo após ouvir "Devil desguised" e ter ido procurar mais desta pessoa com músicas tão intensas. Definitivamente eu amei o arranjo de voz, o instrumental, essa música parece algo que eu usaria no meu arco de vilão enquanto expunha ao público tudo que sei sobre o suposto mocinho, seus erros, crimes de guerra. Ou talvez sobre seduzir a outra pessoa com uma chantagem? Ok, chega de crimes, não quero ser preso.

    A música fala sobre um eu lírico que sabe muito de uma outra pessoa e pode ter diferentes tons dependendo da interpretação. Pode ser uma pessoa que não quer assumir um relacionamento, mas também não consegue esconder que gosta daquela outra pessoa, sendo agora pressionada a assumir isso, já que não teria problema nenhum, segundo o eu lírico. Pode representar uma pessoa chantageando e até persuadindo outra a ficar com ela, talvez por saber de algo comprometedor. Pode até ser um ode à liberdade de um relacionamento, que seria proibido ou mal visto pelos outros, mas que, na afirmação do eu lírico, não tem problema nenhum e só essa pessoa sabe deste sentimento, se oferecendo como um resgate.

    Sem mais delongas, à tradução, nos moldes de sempre:


Tradução literal:

Leve o tempo que precisar

Não vou te fazer recuar nos argumentos

Cave fundo para vir à luz

Você diz que eu não faço seu tipo

Qual é, achou que eu não descobriria?

Escolha um lado ou suma


Sob as tábuas do assoalho

Onde você esconde muito bem

Bem, você sempre volta

Não é adorável?*


Há muito mais do que se pode ver, sabe

Você não é o que parece ser

Eles não te conhecem como eu

Só eu sei


Não é crime algum**

Em deixar seus desejos à mostra agora

Nós dois sabemos que você não pode se conter

E está claro como água

O quanto você precisa de mim

Levado pela tentação

Voltando para mim


Sob as tábuas do assoalho

Onde você esconde muito bem

Bem, você sempre volta

Não é adorável?*


Há muito mais do que se pode ver, sabe

Você não é o que parece ser

Eles não te conhecem como eu

Só eu sei

Só eu


Desdobrando

No que foi destinado a ser

Sou tudo que você precisa


Há muito mais do que se pode ver, sabe

Você não é o que parece ser

Eles não te conhecem como eu

Só eu sei


Há muito mais do que se pode ver, sabe

Você não é o que parece ser

Eles não te conhecem como eu

Só eu sei

Só eu sei

Só eu sei



Tradução para cantar:

Tome seu tempo

Não vou te fazer recuar

Cave fundo pra revelar

Você diz que não sou seu tipo

Qual é, achou que não descobriria?

Escolha um lado ou suma


Sob as tábuas

Onde você esconde bem

Né, você sempre volta

Não é adorável?*


Há mais do que se pode ver

Você não é o que parece ser

Não te conhecem como eu

Só eu consigo saber


Não há crime**

Em deixar seus desejos à mostra

Sabemos que você não aguenta mais

E está muito claro

O quanto precisa de mim

Levado por tentação

Volte para mim


Sob as tábuas

Onde você esconde bem

Né, você sempre volta

Não é adorável?*


Há mais do que se pode ver

Você não é o que parece ser

Não te conhecem como eu

Só eu consigo saber

Só eu consigo


Desdobrando

No que sempre devia ser

Sou o que você precisa


Há mais do que se pode ver

Você não é o que parece ser

Não te conhecem como eu

Só eu consigo saber


Há mais do que se pode ver

Você não é o que parece ser

Não te conhecem como eu

Só eu consigo saber

Só eu consigo saber

Só eu consigo saber


Letra: Emilia Belloni

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 27/12/2025, em plena manhã, bom dia



*"Don't you love", Ao menos ao meu ver, é uma versão encurtada de "Don't you love it when I do it?" (Você não adora quando eu faço isso?), já ouvi muito "Don't you love" com essa conotação de "Isso não é adorável?", algo que alguém falaria quando quer uma confirmação sua de que algo é agradável, mesmo que pareça um obséquio.

**P0&&@! Não mesmo? Artigo 158? 147? 171? Acho que pelo menos um desses artigos do código penal você cai. E sim, eu sei que é o eu lírico falando para a "vítima" que não há crime algum em se expor, mas o crime está no eu lírico. 


terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Tradução: Angra - Bleeding Heart

    Ok, antes que vocês comecem, a versão da banda Calcinha Preta é uma letra diferente, com um sentimento parecido, não uma tradução. Bem-vindo a mais uma música de um relacionamento tóxico e que não vale a pena parte 1257890, mas vou explicar com mais detalhes adiante. Por sinal, para quem não sabe, Angra é uma banda brasileira, mas que tem diversas músicas e covers em inglês, então decidi traduzir.

    A música fala de uma pessoa entregue a um relacionamento, provavelmente com uma mulher, em que o eu lírico, ainda que tenha sido desprezado, continua com apego emocional e disposto a sofrer novamente nas mãos desta pessoa. Tudo isso sob a (falsa) esperança de que vai valer a pena, o típico apaixonado que é taxado de romântico, mas, na verdade, está sendo feito de marionete por alguém. Ainda assim, é uma pessoa que parece estar tentando consertar um relacionamento (Que já estava quebrado desde o começo, como ele mesmo diz), mas ele está entregue, fi, mendigando migalhas de bu... Digo... Mantenha a compostura, ele está disposto a se humilhar para que ela volte.

    Minha história com essa música é interessante, porque eu só conhecia a versão de Calcinha Preta, desde quando eu era criança, vivia imitando a forma que Daniel cantava, com o microfone do lado da boca e movendo a cabeça para o lado oposto. Gostava muito de ouvir e do arranjo acústico, mesmo nessa idade, já sentia tocar a alma, mesmo sem saber o que eram esses sentimentos que ele falava na música. Até que um belo dia, recentemente, duas décadas depois de ver aquele DVD chamado "Ao vivo em Salvador", eu vi uma versão de 2023 que ele cantava junto com um dos compositores originais e fiquei tipo: "Pera aí, a música original é em inglês? E o cara é brasileiro? Que bagunça é essa?". Com isso, fui ouvir a original, do Angra e gostei bastante, tem uma letra bem simbólica e impactante, um traço que se manteve na versão de Calcinha Preta.

    Enfim, à tradução, só literal, desta vez, porque não tem como não cantar "Agora estou sofrendo" quando é em português:


Tradução literal:

Agora eu sei que tudo acaba um dia

Você sabia desde o começo

Não quis acreditar que era real

Você está só de novo, minha alma estará contigo


Por que o relógio está correndo

Se meu mundo não está girando?

Ouço tua voz no vento que passa pela porta

Você está só de novo, estou só esperando


Você rasga meu coração em pedacinhos

Antes de você sair sem remorso

Chorei por ti, minhas lágrimas viram sangue*

Estou pronto para me render

Você diz que eu levo tudo muito a sério

E tudo que eu peço é compreensão

Te trago de volta um pedaço do meu coração partido

Estou pronto para me render


Eu me lembro dos momentos

A vida era curta para o romance

Como uma rosa, ela murchará

Estou deixando tudo para trás


Sem arrependimentos, a guerra acabou

A volta de um soldado

Ponho as mãos sobre meu coração ferido**

Estou deixando tudo para trás, não esperarei mais


Você rasga meu coração em pedacinhos

Antes de você sair sem remorso

Chorei por ti, minhas lágrimas viram sangue*

Estou pronto para me render

Você diz que eu levo tudo muito a sério

E tudo que eu peço é compreensão

Te trago de volta um pedaço do meu coração partido

Estou pronto para me render


Esperei por tanto tempo


Você rasga meu coração em pedacinhos

Antes de você sair sem remorso

Chorei por ti, minhas lágrimas viram sangue*

Estou pronto para me render

Você diz que eu levo tudo muito a sério

E tudo que eu peço é compreensão

Te trago de volta um pedaço do meu coração partido

Estou pronto para me render

Estou pronto para me render



Letra: Edu Falaschi / Rafael Bittencourt

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 15-16/12/2025


*Acredito que eles queriam traduzir a expressão "chorar lágrimas de sangue" para o inglês, mas decidi por traduzir literalmente.

**"Bleeding heart" significa, literalmente, "coração sangrando", mas é usado como uma forma de dizer que "meu peito sangra" ou "coração ferido". Também pode ser um termo informal no inglês (O que eu não acho que foi a intenção deles) que significa "alguém que tem um coração muito mole", o tipo de pessoa que teria pena até de um assassino, perigosamente empática.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Tradução: MGMT - Congratulations

    Ok, ainda que não tenha sido a primeira música do MGMT que eu conheci (Nem me lembre da minha depressão após uns momentos complicados, pandemia, perder um amigo e tentar continuar a faculdade de engenharia elétrica, então é, a primeira foi "Little Dark Age", que eu ouvi à exaustão enquanto pensava em qual seria a melhor forma de me excluir da lista de seres vivos deste mundo), é definitivamente uma que me faz ficar pensativo.

    A música em si é uma crítica a como as celebridades são vistas e tratadas, bem como estereótipos sociais de que esta é uma vida boa e perfeita, quando, na verdade, aquela pessoa é só um produto. Quando seu valor é perdido, é descartado, assim como uma embalagem usada. Ao final, a única coisa que ele precisa se preocupar é receber os "parabéns", um indicativo de que ele ainda é relevante e tem valor para os empresários. Por sinal, algumas notas de detalhes da tradução ficam após a letra, mas este eu tenho que pontuar aqui: Eles citam "Steinway" e "Baldwin", que são companhias que fazem pianos. Eu suponho que o significado seja como "comparar Zé com José" ou "comparar Nescau com Toddy", uma ideia de refino, mas que ainda é uma briga desnecessária, que não agrega nada. Como se tudo desse na mesma.

    Acabei conhecendo esta música aleatoriamente enquanto buscava outras músicas do MGMT, além da que já foi citada anteriormente, sendo essas duas as que eu mais gosto.

    Sem mais delongas, à tradução, nos mesmos moldes de sempre:


Tradução literal:

À deriva

Não são férias remuneradas

Os filhos e filhas

De funcionários públicos comparecem a protestos

Quase um "vai ou racha"

Quando tudo vai bem se os bilhetes venderem


Acabando com um choramingo*

Não é a chama da vitória

Você observa do seu templo

Enquanto outros lutam para fazer seu nome

E entalham sua palavra em mármore

Mas tudo é em vão se ninguém os ouve


Mas eu tenho alguém para fazer relatórios

E me dizer como meu dinheiro é gasto

Para marcar minhas hospedagens e fechar minhas cortinas

Assim não posso notar o que realmente está lá

E tudo que preciso é de um grandioso "parabéns"


Guardo os seus sonhos

Você presta atenção a mim

Por mais estranho que possa parecer

Prefiro dissolver a ser ignorado por você

O chão pode estar cedendo rápido

Mas amarrei minhas botas a um mastro quebrado**


A diferença é clara

Você a atira ao seu caldeirão

Enferrujado e envernizado

Crepúsculo e alvorada, Steinways e Baldwins

Você começa com um caldo simples

De todo esse lixo e sal à gosto


Mas dane-se a minha sorte e dane-se esses amigos

Que vivem penteando seus sorrisos

Guardo minha graça com uma culpa de meia tigela

E estendo a colcha pelo jardim

Abro os braços e absorvo os "parabéns"



Tradução para cantar:

Largado, à deriva

Não são férias remuneradas

Os filhos e filhas

De funcionários públicos vão a protestos

Quase um "vai ou racha"

Quando tudo vai bem se os bilhetes vendem


Um fim com uma lamúria*

Não é a chama da vitória

Você vê, do seu templo

Enquanto pessoas lutam para fazer sua história

E entalham, em mármore, sua fala

Mas tudo se perde se ninguém os ouve


Mas eu tenho alguém para fazer relatórios

E me dizer como meu dinheiro é gasto

Marcar minhas estadias e fechar as cortinas

Assim não posso ver o que está lá

E tudo que preciso é de um grande "parabéns"


Guardo os seus sonhos

Você presta atenção a mim

Por mais estranho que pareça

Prefiro dissolver a que você me ignore

O chão pode estar cedendo rápido

Mas amarrei minhas botas a um mastro quebrado**


A diferença é clara

Você a atira ao seu caldeirão

Ferrugem e verniz

Noite e dia, Steinways e Baldwins

Você começa com um caldo simples

De todo esse lixo e sal à gosto


Mas dane-se a minha sorte e dane-se esses amigos

Que vivem penteando seus sorrisos

Guardo minha graça com uma culpa meia boca

E estendo a colcha pelo jardim

Abro os braços e absorvo os "parabéns"



Letra: Andrew Wells VanWyngarden / Benjamin Nicholas Huner Goldwasser

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 14/12/2025


*Vem de um poema de Thomas Stearns Eliot, chamado "The hollow men" (Os homens vazios), que diz, ao final: "É assim que o mundo se acaba, não com um estrondo, mas sim com um choramingo"

**"Amarrar-se a um mastro" é um dito popular em inglês que significa "focar no que é importante" ou "resistir à tentação", aqui sendo distorcido para dizer que o ponto de ancoragem que ele usou para resistir às tentações é frágil e quebradiço, como se não fosse de nenhuma ajuda real, apenas simbólica.



quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Tradução: Валентин Стрыкало (Valentin Strykalo) - Улица Сталеваров (Ulitsa Stalevarov)

    E quem diria que eu estaria trazendo mais uma música deste ucraniano com nome que eu acho muito interessante, o tal do "Yuri Kaplan", é uma mistura de duas coisas que eu gosto, Yuri e turbinas de hidroelétrica, no caso as de cabeçote, chamadas de "Kaplan". Quero constar que, apesar do artista ser ucraniano, eu não faço a menor ideia se a letra está em ucraniano ou russo. Depois dos dramas baratos, agora temos a "Rua Stalevarov", que eu acho muito interessante então vou explicar o contexto a vossas pessoas.

    Segundo alguma fonte na internet que eu não consigo verificar a autenticidade, a letra da música foi  inspirada pelas histórias que o avô de Yuri Kaplan contava sobre ele e sua avó quando jovens. Foi escrita meses após a morte dela, que morava numa rua chamada "Stalevarov". 

    Por algum motivo, essa música me lembra um pouco o anime "Kimi no Na Wa", eu sei que parece loucura, mas, sei lá, tem algumas partes que até parecem narrar eventos do filme, principalmente o refrão (Será que eu vou meter o louco e fazer um AMV dessa música com o anime? Quem sabe, teria que legendar a tradução para o pessoal entender). Dizem que músicas podem ser interpretadas de diversas formas, não existe só uma visão, então é o que estou fazendo aqui. Edit: Eu fiz e postei no Instagram, só clicar AQUI para ver.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Ainda nem é a alvorada

Deixe-a contar pela manhã

Como, em uma cidade grande por aí

Fui soprado até eles pelo vento

Como dois olhos se encontraram, uma vez

De pé, lado a lado, no metrô

Como andamos, lado a lado, nas calçadas

Pela rua Stalevarov


O vento soprou contra nós

Nunca nos encontramos

Mas, na hora de dormir

As sombras de nossas almas andam pelos campos


Tap-tap-tap*

Tap-tap-tap*


Pela rua Stalevarov

Haviam casais se abraçando

E nós, também entre eles

Como os outros transeuntes

Rios fluíam sob as pontes

E uma voz pelo alto-falante

Vindo das janelas abertas

Nos prometiam felicidade contigo


O vento soprou contra nós

Nunca nos encontramos

Mas, na hora de dormir

As sombras de nossas almas andam pelos campos


Não dê ouvidos aos cínicos cruéis

Amor eterno não morre

E nenhuma primavera é tão bonita

Quanto aquela em nossa cidade dos sonhos

Onde noites são mornas

Onde estaremos ao final?

Onde, na janela suja do bonde

Minha casa derrete na névoa


O vento soprou contra nós

Nunca nos encontramos

Mas, na hora de dormir

As sombras de nossas almas andam pelos campos



Tradução para cantar:

Ainda não é a alvorada

Pela manhã, ela contava

Como, numa grande cidade por aí

Me levou, o vento, até eles

Como cruzam, do nada, os olhares

De pé, no metrô, juntos

Como íamos, nós, nas calçadas

Pela rua Stalevarov


O vento soprou contra nós

Não nos encontramos nunca

Mas, na hora de descansar

O vulto de nossas almas vão pelos campos


Tap-tap-tap*

Tap-tap-tap*


Pela rua Stalevarov

Haviam casais se abraçando

E nós ali, entre eles

Parecemos os outros pedestres

Rios fluíam sob pontes

E uma voz pelo megafone

Das janelas totalmente abertas 

Contigo, nos prometiam júbilo


O vento soprou contra nós

Não nos encontramos nunca

Mas, na hora de descansar

O vulto de nossas almas vão pelos campos


Os cínicos cruéis, não ligue

O amor eterno não morre

E não há primavera mais linda

Quanto na cidade dos sonhos nossa

Onde há mornas noites

Onde estaremos ao final?

Onde, na janela suja do bonde

Derrete meu lar na névoa


O vento soprou contra nós

Não nos encontramos nunca

Mas, na hora de descansar

O vulto de nossas almas vão pelos campos



Letra: Yuri Gennadiyovych Kaplan

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 27/11/2025


*Onomatopeia de passos caminhando, como os sons do sapato no concreto, usada na música

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Tradução: Kansas - Dust in the wind

    Essa música é uma das mais belas que já ouvi, desde quando não falava nada de inglês, era como uma magia, algo místico. Quando descobri o que significava, entendi que a magia também estava na letra, então eu não podia deixar de traduzir sua mensagem.

    O nome da música vem de um trecho da Bíblia, de Eclesiastes 1:14, que diz: "Tenho visto tudo o que é feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr atrás do vento!", também contendo diversas outras partes que podem ter sido inspiradas em passagens bíblicas, como Gênesis 3:19: "[...] Porque você é pó, e ao pó voltará"; Eclesiastes 3:20: "To­dos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão."; e Salmos 18:42: "Eu os reduzi a pó, pó que o vento leva. [...]". Também tem semelhança com a abertura de "O conto dos Heike", um relato épico japonês das guerras Genpei, que diz em sua introdução: "おごれる人も久しからず、唯春の夜の夢のごとし。たけき者も遂にはほろびぬ、偏に風の前の塵に同じ。"([...] A prosperidade do orgulhoso vêm antes de sua queda, tal qual um sonho numa noite de primavera. Ao final, o poderoso também perecerá, como poeira ao vento). 

    Quanto a mim, não sei quando conheci esta música, talvez era parte da abertura da minha vida, quando anda estava no ventre de minha mãe. É tão lúdico tentar lembrar quando foi a primeira vez que ouvi, mas agradeço que continuei e aqui estou, traduzindo para vocês. É como se eu sempre conhecesse esta música, só não lembrasse quando foi a primeira vez, então é isto, talvez eu a conheça desde antes de existir como pessoa.

    Sem mais delongas, à tradução:


Tradução literal:

Fecho meus olhos

Só por um instante, e este momento se vai

Todos os meus sonhos

Passam ante aos meus olhos, uma curiosidade (fugaz)


Pó ao vento

Tudo que são é pó ao vento


A mesma velha canção

Apenas uma gota d'água num mar infinito

Tudo o que fazemos

Desaba ao chão, ainda que nos recusemos a ver


Pó ao vento

Tudo que somos é pó ao vento


Agora, não se apegue

Nada dura para sempre, exceto a Terra e o céu

Escorre por nossas mãos

E todo seu dinheiro não te comprará nem mais um minuto


Pó ao vento

Tudo que somos é pó ao vento

Pó ao vento

Tudo é pó ao vento


Tradução para cantar:

Fecho os olhos

Só por um momento, e tal momento se vai

Todos os meus sonhos

Passam ante aos meus olhos, uma curiosidade


Poeira ao vento

Tudo que são é poeira ao vento


A mesma velha canção

Apenas uma gota d'água num mar sem fim

Tudo o que fazemos

Desaba ao chão, mas recusamos ver


Poeira ao vento

Tudo que somos é poeira ao vento


Agora, não se apegue

Nada dura para sempre, além da Terra e do céu

Escorre por nós

E todo seu dinheiro, nem mais um minuto comprará


Poeira ao vento

Tudo que somos é poeira ao vento

Poeira ao vento

Tudo é poeira ao vento



Letra: Kerry Livgren

Tradução: Toinho Stark do Cangaço, 20/11/2025

Tradução: Где Фантом? (Gde Fantom) - Это так архаично (Eto tak arkhaichno)

    E sabe aquelas playlist de doomer russo/eslavo que eu escuto de vez em quando? Pois é, do nada me brota umas músicas com uma baita filos...